Fotos Edmundo Migliaccio Local: Caconde 01/01/1960 00 Edmundo Francisco Nicodemo MigliaccioCaconde, 5 de dezembro de 1903 – São Paulo, 25 de julho de 1983Edmundo Migliaccio foi um renomado pintor neoclássico brasileiro, consagrado por sua habilidade como retratista e por obras que aliam técnica apurada, espiritualidade e forte expressão estética. Inspirado por Rembrandt, seu estilo é marcado pelo uso magistral de luz e sombra, conferindo profundidade e sentimento às suas composições.Formação e início da carreiraNascido em Caconde (SP), era filho de imigrantes italianos, Domenico Migliaccio e Santa Frontiera. Desde pequeno demonstrava grande sensibilidade artística. Aos quatro anos já chamava atenção por sua percepção aguçada e capacidade de observação. Segundo o escritor Ricardo Ramos, em sua biografia "Edmundo Migliaccio", ainda criança, Edmundo foi enviado a São José do Rio Pardo por dificuldades financeiras da família. Lá ficou sob os cuidados de Inocêncio Vigliegas, um fotógrafo local.Algum tempo depois, retornou a Caconde, onde seus desenhos a carvão nas paredes de uma antiga tulha de café despertaram a atenção do fazendeiro Coronel João Baptista de Lima Figueiredo (popularmente conhecido como “Joãozinho Gomes”) e de sua esposa. O casal, encantado com seu talento, decidiu custear seus estudos artísticos em São Paulo, tornando-se verdadeiros mecenas do jovem artista.Assim, entre 1913 e 1918, Migliaccio se mudou para a capital e ingressou no Liceu de Artes e Ofícios, posteriormente complementando sua formação no Instituto Profissional Masculino do Brás. Diplomou-se em Pintura e Decoração em 1924.Carreira artísticaA partir da década de 1920, Edmundo iniciou uma trajetória de grande destaque nas artes plásticas. Em 1925 foi contratado como ajudante de oficina no Instituto Profissional, onde posteriormente se tornou Mestre de Pintura e Desenho Artístico. Lecionou por décadas na Escola Técnica Getúlio Vargas (antiga Escola Normal Masculina de Artes e Ofícios), formando gerações de artistas, como Anna Cortazzio, Octavio Ferreira de Araújo, Salvador Rodrigues Junior e Luís Sacilotto.Suas obras transitam entre o clássico e o religioso, com destaque para os painéis "Jesus Crucificado", "Assunção de Nossa Senhora" e "Imaculada Conceição", localizados na Basílica Santuário de Nossa Senhora da Conceição, em sua cidade natal. Outras obras notáveis são "Apóstolo São Paulo", em exposição na Câmara Municipal de São Paulo, e "O Sertanista", no acervo do Palácio dos Bandeirantes, encomendada durante o governo de Laudo Natel.Na década de 1960, recebeu a visita do então governador Reynaldo de Barros durante o Salão de Belas Artes, onde colecionou importantes prêmios ao longo da vida:- Menção Honrosa (1938)- Medalha de Bronze (1941)- Pequena Medalha de Prata (1947)- Grande Medalha de Prata (1962)- Pequena Medalha de Ouro (1963)- Grande Medalha de Ouro (1983)Uma de suas obras mais célebres encontra-se em exposição nos Estados Unidos, na cidade de Chicago: trata-se de um “Preto Velho” retratado com realismo e sensibilidade, sentado à mesa com um cachimbo à boca, uma taça de vinho, uma cesta de taquaras e alimentos, refletindo paz e sabedoria ancestral.Vida pessoal e homenagensCasou-se com Josefina Luzzi, com quem teve três filhos: Joval, Jurema e Rubens. Segundo a artista plástica Eliana Migliaccio Mantovani, seus esboços nasciam nos momentos mais inesperados: “Na hora do almoço, as extremidades da toalha de mesa davam forma a um preto velho meditando ou a uma cigana descortinando o futuro”.Além de pintor, foi funcionário público e professor. Mesmo após se aposentar, manteve um ateliê na Mooca, onde continuava a ensinar pintura.Sua contribuição à cultura paulista foi reconhecida com o título de Cidadão Paulistano e a nomeação de uma praça em sua homenagem, localizada entre as avenidas Salim Farah Maluf e David Zeiger, na Mooca. A homenagem foi proposta pelo médico e ex-prefeito de Caconde Hugo Mazzilli, aprovada pelo vereador Tércio Chagas e oficializada pelo então prefeito Jânio Quadros. Em Caconde, seu legado é preservado na Casa da Cultura Edmundo Migliaccio, instalada em um edifício histórico.Faleceu em 25 de julho de 1983, aos 79 anos, após sofrer sucessivos derrames. Deixou um legado artístico e cultural que ainda inspira novas gerações.Cronologia resumida1918 – Ingressa no Liceu de Artes e Ofícios, em São Paulo.1920 – Entra no Instituto Profissional Masculino do Brás.1924 – Forma-se em Pintura e Decoração; casa-se com Josefina Luzzi.1932 – Torna-se Mestre de Pintura na Escola Normal Masculina de Artes e Ofícios.1938-1983 – Recebe sucessivas premiações no Salão Paulista de Belas Artes.1951 – Doa à Câmara Municipal de São Paulo a tela "Apóstolo São Paulo".1962 – Recebe o título de Cidadão Paulistano.1973 – Pinta “O Sertanista” para o Palácio dos Bandeirantes.1983 – Recebe postumamente a Grande Medalha de Ouro por “Natureza Morta”.